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Quando não é TDAH: por que alguns jovens têm sintomas, mas não têm o transtorno?

  • Foto do escritor: Kátia Silva
    Kátia Silva
  • 4 de dez. de 2025
  • 3 min de leitura


Introdução

Nos últimos anos, muitos jovens adultos têm buscado avaliação neuropsicológica por suspeita de TDAH. Eles relatam cansaço mental, dificuldade para manter a atenção, sensação de “mente acelerada” e esforço enorme para estudar. Curiosamente, muitos deles têm ótimo rendimento acadêmico, autonomia, organização e metas claras. Então surge a dúvida:



“Como posso sentir que tenho TDAH se consigo entregar resultados?”


A resposta, muitas vezes, está no modo como o cérebro funciona — e não em um diagnóstico fechado.



Sintomas não são diagnóstico

Ferramentas como a entrevista DIVA-5 são importantes, porque ajudam a mapear os sintomas de TDAH ao longo da vida. Mas elas não definem diagnóstico sozinhas.

Por quê?

Porque o diagnóstico exige algo fundamental:


Sintomas + prejuízo funcional.

Isso significa que não basta sentir dificuldade — é necessário existir impacto real em diferentes áreas da vida: estudo, trabalho, rotina e relações sociais.



Quando o cérebro compensa

Algumas pessoas têm características que funcionam como fatores de proteção, como:

  • inteligência elevada

  • raciocínio abstrato forte

  • facilidade em criar estratégias

  • perfeccionismo (“não aceito errar”)

  • hiperfoco em objetivos

  • disciplina desde cedo

Essas características podem esconder dificuldades, porque a pessoa entrega resultado — mesmo que com esforço intenso.

A sensação interna é:


“Eu consigo, mas sinto que minha cabeça não para”ou“Eu consigo, mas preciso de esforço triplicado”

Esse perfil imita o TDAH, mas é outra coisa.



Quando o problema não está na atenção

Nos testes neuropsicológicos, muitos desses jovens não apresentam problemas atencionais. Pelo contrário:

  • conseguem sustentar a atenção em tarefas desafiadoras

  • alternam foco com eficiência

  • dividem a atenção sem queda de desempenho

Onde geralmente aparece a dificuldade?

  • em tarefas monótonas

  • repetitivas

  • sem desafio

  • longas e verbais

Isso não significa TDAH — significa que o cérebro precisa de estímulo para funcionar no seu melhor.



A importância das Altas Habilidades

Quando avaliamos o perfil completo, encontramos características que ajudam a entender o quadro:

  • liderança

  • compromisso com a tarefa

  • pensamento abstrato forte

  • facilidade em aprender sozinho

  • interesse profundo em temas específicos

Essas características são comuns em pessoas com Altas Habilidades — pessoas que não necessariamente “tiravam 10 na escola”, mas que pensam de maneira diferente, aprendem visualmente, criam métodos próprios e têm metas muito claras para si mesmas.



TDAH não é o único caminho

Por isso, a avaliação neuropsicológica é tão importante: ela ajuda a entender o que está por trás da sensação.

Às vezes:

  • o cansaço é efeito do perfeccionismo

  • a dificuldade é apenas em memória verbal

  • o problema é a falta de método de estudo

  • o cérebro é mais visual que verbal

  • a rotina está mal organizada

  • existe autocrítica excessiva

E não TDAH.



Quando é TDAH

O diagnóstico de TDAH deve ser feito quando há:

  • sintomas claros

  • prejuízo real

  • em vários contextos

  • por um período prolongado

  • avaliados com escalas e testes

E também quando outras explicações não são suficientes.



Quando não é TDAH

No outro extremo, temos jovens com:

  • sintomas ao longo da vida

  • ótima capacidade de compensação

  • recursos cognitivos elevados

  • nenhuma queda de desempenho acadêmico

  • boa adaptação nas relações sociais

  • autonomia total na rotina

Neste caso, os sintomas existem — mas o transtorno, não.

Esse perfil é chamado de:


Fenótipo TDAH Compensado


Conclusão para o leitor

Se você sente dificuldade para se concentrar, mesmo estudando muito e entregando bons resultados, é importante investigar. A resposta não está em um vídeo no Instagram, mas na análise do seu cérebro.

Uma avaliação neuropsicológica pode mostrar:

  • onde está a sua força

  • que tipo de aprendizagem funciona para você

  • como reduzir o esforço

  • como trabalhar a autocrítica

  • quando buscar apoio clínico

Nem todo sintoma é TDAH — e isso é uma boa notícia.

Significa que seu cérebro tem um jeito único de funcionar.E entender isso pode mudar completamente a forma como você estuda, trabalha e cuida de si.

 
 
 

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